Em Breve

Obras

Dizem que a gente faz o próprio destino. Mentira. O meu foi selado por um banheiro interditado e uma fenda no tempo em um prédio velho de Porto Alegre. 
Num piscar de olhos, eu não estava mais em 1997. Fui cuspido nos anos de chumbo, em 1972. Para sobreviver com dinheiro de Monopoly no bolso e a ditadura militar respirando no meu cangote, o jornalista recluso que eu era teve que morrer. No lugar dele, nasceu um rato, focado apenas em achar um jeito de voltar pra casa. 
Mas quando achei que não podia descer mais fundo, o destino me empurrou por um alçapão. Em meio ao caos, eu me dei conta: faltava menos de um ano para o meu pai ser assassinado pelo DOPS. E eu estava lá. 
O portal para o meu tempo se fechou. A missão de voltar para casa se tornou secundária. Agora, preciso me tornar um fantasma no passado, observando a família que não me reconhece e tentando impedir um crime que, para eles, ainda nem existe. 
O que você faz quando o tempo não te dá superpoderes, mas um alvo nas costas e uma escolha terrível: lutar pela vida que você perdeu ou arriscar tudo para salvar a família que você nem pode abraçar? 


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